terça-feira, 7 de fevereiro de 2012



Dia desses ouvi uma pessoa dizer: 

- Namorei muito tempo com alguém, mas no fundo sabia que ela não era o que sempre desejei. Agora, não. Dessa vez é diferente. Tenho certeza que encontrei o amor de minha vida.

Tomara que ela esteja certa, mas não acredito. 
Não há muita lógica nessa coisa toda. 
Essa sensação de um amor para toda vida é tão efêmera quanto todos aqueles beijos de carnaval. 
No mais, a verdade é que sempre tive vontade de dizer a alguém, e poderia ter sido ela:  

- Conforme-se com a possibilidade de que você pode não ser o amor da vida do amor de sua vida. Mas, enquanto durar, experimente a eternidade. 


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O amor, definitivamente, não é facilmente explicável.
Parafraseando Santo Agostinho:
- O que é, portanto, o amor?
- “Se ninguém me pergunta, sei; se eu quiser explicar a quem me pergunta, não sei”.
O amor é como a profecia.
Situa-se no campo das possibilidades.
Às vezes absurdas.
Alguns esperam que aconteça. Outros, temem.
Só conseguiremos reconhecê-lo, entretanto, depois que, de fato, acontecer.
E me...smo com toda expectativa, a surpresa sempre será maior.
Seja no amor.
Seja na profecia.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

 
Folhas.
Secas.
Árvore estripada.
Flores.
Mortas.
Terra esterilizada.

Ah, meu belo jardim.
De cínicas larvas
E borboletas tortas.
De pássaros sujos
E vespas perigosas.

Vistoso e singelo.
Estás tão belo!
Teu hábil jardineiro
Dedicou-se por inteiro
A cultivá-lo maldito.

Ah, os preciosos espinhos!
Espalhados pelos caminhos
Freneticamente afiados
No solo infértil forjados
À sombra do mesquinho.

Mas eis que, de repente
A luz outrora fugiente
Semeia as velhas cinzas
Das asas do novo Benu.

Meu jardim, agora, é primavera.
Onde o amor, hoje, prima, à vera.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ESFINGE


Daqui da sombra:

O Sol não cega
A Lua não apaga
O tempo não abala
O pulso não acelera
O coração não dispara
A dor não dilacera

E o sopro frio insiste...

...a consciência persiste:

A sorte não espera
O gelo não quebra
A cor que desbota
A alma que renega
A música então para
O amor sempre cala
 
E você, como sempre, finge!

(Caio Dimitri)

SAUDADE


Aquele segundo que não contei
Hoje soa em silêncio tão aveludado
E o retrato que dizes passado
Chamo simplesmente de saudade.

(Caio Dimitri)

FUTURO DO PRETÉRITO


Brindo a cada vívida lembrança!
Mesmo que a consciência me seja breve
Mesmo no lacônico desabafo que me atreve
Ainda reconheço aquele tenro olhar.

Com as mãos suplico ao tempo
Permissão pra me deixar passar
E ao mundo ainda poder abraçar
Revivendo minha eterna pequenez.

E o sorriso tímido que me assola
Tão discreto quanto minha insegurança
Renova a descoberta em cada esperança
Mantém meu brilho imaculado sobre o mundo!

(Caio Dimitri)

sexta-feira, 4 de março de 2011

"— E você, por que desvia o olhar?


(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

— Ah. Porque eu sou tímida."

Rita Apoena