segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

LUTO SILENTE

...
(silêncio)
...
Não mais falo!
Se te incomodo, calo.
Resta-me prosseguir,
Esquecer e resistir.

Permanecerei silente!
Se me cala, consente.
Mas não me faça rir,
Chorar ou admitir.

Idiota ou covarde?
Não me importo, é tarde!
Desejo-te pouco ... amor,
Fique com sua dor!
Já não me serve mais!

E "me respeite! Que amor também não tá fácil assim..."*

...
(silêncio)
...
(desconectado)
...
(desconectando-me)
 ...
(silêncio)


(Caio Dimitri)

* A genial "Indecoro", de autoria do não menos brilhante Rafael Fontana - http://caracteresavulsos.blogspot.com/

SEM TÍTULO II


...
O passado me reencontrou
A inesperada velha novidade
Bateu à porta e entrou
Ignorou o tempo, a saudade.
Festejou o novo início de novo
Afagou minhas lembranças
O adeus sem esperanças.

(Caio Dimitri)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

TRANSCENDÊNCIA


Veja, ao longe, distante
Mãos dadas, inseparáveis.
Observe, mais um instante
Almas benditas, admiráveis.
Agora, perto, finja
Disfarce a indelicadeza
Mais uma vez minta
Deguste sua fraqueza.
Adeus! Seguiram felizes
Lábios atados, desatino.
Corações aprendizes
Vida que segue destino.

(Caio Dimitri)

SEM TÍTULO


O poeta esbravejou:
Empunhando a emoção
Na melodia do coração
Mais uma vez versou
E comoveu.

(Caio Dimitri)

sábado, 19 de dezembro de 2009

RECADO


Mostra-me o caminho
Teu atalho, meu desvio
Revela-me tua face
Teu desejo, meu impasse

Dizei-me tua vida
Tua sorte, indefinida
Desfaz-me das dores
Meus anseios, teus dissabores

Encara-me sem medos
Meus vacilos, teus segredos
Procura-me com calma
Em meus olhos, tua alma

(Caio Dimitri)

CREPÚSCULO

Aquelas tardes!
Gostaria de voltar àquelas tardes de domingo,
Quando o sol parecia menos intenso, denso.
As horas perdidas naqueles minutos,
A noite eterna em poucos segundos, profundos.

 
Doces tardes!
No vôo sobranceiro dos pássaros,
O assobiar da melodia triste, persiste.
Na palma da mão o destino,
No pé descalço mais um passo, cansaço.
 
Saudosas tardes!
Um brinde a cada eternidade,
A vida em futuras lembranças, esperança.
O passado em tons amargos de chocolate,
O futuro nas doces notas da percepção, aflição.
 
Inimagináveis tardes!
Quando a maior distância entre nossos lábios
Era o medo do desconhecido feroz, algoz.
Entrelaçando-me em teus olhos,
Em trincheiras de sensações, ilusões, paixões.

Fim de tarde!
Quando as flores jamais murchavam,
Os espinhos jamais machucavam, sangravam,
Os beijos cálidos à exaustão,
À sombra do teu adeus insensível, inesquecível.

Crepúsculo!
Desperta-me!
Aurora de novos tempos!

(Caio Dimitri)
OBS: o título não é nenhuma alusão ao famoso livro/filme, tampouco inspirado neles. O texto foi escrito antes da badalação ao livro que, inclusive, nem conheço. Ao ler, vê-se que não há nenhuma referência a supracitada obra.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

INCONTROVERSO




Há coragem no verso
Razão inabalável
Outrora inesgotável
Cede ao incontroverso

Não há lógica, nem meço
Palavras pequenas
Revelam apenas
O coração de um confesso

Timidez, acredite
Nobre, tão puro
Impaciente e inseguro
Ao primeiro convite

A consciência resiste
Feridas se espalham
Destroços se encaixam
O humano insiste

Coração, não te censuro!
Mostra-te forte
Arrisque a sorte
Apaixonou-se, prematuro!

(Caio Dimitri)