sábado, 8 de novembro de 2014

OCTOBER SKY



A morte habita o estrondo
Mas cavalga em silêncio
À espreita, sem direção
Entre dois pontos
Na menor distância
Da curva do destino
Tudo num piscar de olhos
E numa eternidade
Acena, deixa o recado
No rastro do seu cheiro
De gasolina
E desespero
Mostra a sua face
Nos estilhaços
E se alimenta
Das lembranças
Do corpo marcado
Pelo aço e pela dor
E daquilo que resta
Da alma despedaçada



É
Elo
Louco
Quente
Eloquente

O desejo pungente
Que havia entre os nós
Entre nós

CONTRADITA




Logo você partirá
E contigo, o verso
Silêncio contido
Assombro vindouro
Adeus comovido
Amargo desdouro
Logo você partirá
E conosco, a cicatriz
Sanada concupiscência
Aditada à revelia
Aquela litispendência
Agora, coisa julgada

RESILIÊNCIA



Não me julgo resiliente
Às tuas meias verdades
De tuas meias vontades
Faço-me paciente
Só não julgue pela metade
Toda aquela saudade
Que ainda jaz latente
Nesse olhar incongruente
Estampado em teu rosto
Indecente

ARRITMIA



Adiante
Gire o mundo
Desenhe entre os segundos

Ande
Mude a jornada
Invente outras estradas

Levante
Tome a inquietação
Suborne a razão

Viva
Sobreviva ao descompasso
Dê o próximo passo

Cresça
Esqueça
Desobedeça

Toda essa agitação
D’um coração desacelerado

A CHAGA DE EROS, PARTE II



E Eros surpreendeu
Num gesto nobre
Quase altruístico
Arrancou do próprio peito
Frio e demais pobre
O legado paroxístico
Que ainda lhe restava
Na lança que por ironia
Era o seu mister
E seu martírio