sábado, 28 de abril de 2012

PSICASTENIA


Em lugar nenhum...

Um dedal de verdade
Esconde sob a máscara
O sangue dos espinhos

Em algum lugar...

Da verdade pela metade
O palhaço sob a máscara
Faz do sangue seu vinho

E nem dói tanto assim.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012



Dia desses ouvi uma pessoa dizer: 

- Namorei muito tempo com alguém, mas no fundo sabia que ela não era o que sempre desejei. Agora, não. Dessa vez é diferente. Tenho certeza que encontrei o amor de minha vida.

Tomara que ela esteja certa, mas não acredito. 
Não há muita lógica nessa coisa toda. 
Essa sensação de um amor para toda vida é tão efêmera quanto todos aqueles beijos de carnaval. 
No mais, a verdade é que sempre tive vontade de dizer a alguém, e poderia ter sido ela:  

- Conforme-se com a possibilidade de que você pode não ser o amor da vida do amor de sua vida. Mas, enquanto durar, experimente a eternidade. 


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O amor, definitivamente, não é facilmente explicável.
Parafraseando Santo Agostinho:
- O que é, portanto, o amor?
- “Se ninguém me pergunta, sei; se eu quiser explicar a quem me pergunta, não sei”.
O amor é como a profecia.
Situa-se no campo das possibilidades.
Às vezes absurdas.
Alguns esperam que aconteça. Outros, temem.
Só conseguiremos reconhecê-lo, entretanto, depois que, de fato, acontecer.
E me...smo com toda expectativa, a surpresa sempre será maior.
Seja no amor.
Seja na profecia.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

 
Folhas.
Secas.
Árvore estripada.
Flores.
Mortas.
Terra esterilizada.

Ah, meu belo jardim.
De cínicas larvas
E borboletas tortas.
De pássaros sujos
E vespas perigosas.

Vistoso e singelo.
Estás tão belo!
Teu hábil jardineiro
Dedicou-se por inteiro
A cultivá-lo maldito.

Ah, os preciosos espinhos!
Espalhados pelos caminhos
Freneticamente afiados
No solo infértil forjados
À sombra do mesquinho.

Mas eis que, de repente
A luz outrora fugiente
Semeia as velhas cinzas
Das asas do novo Benu.

Meu jardim, agora, é primavera.
Onde o amor, hoje, prima, à vera.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ESFINGE


Daqui da sombra:

O Sol não cega
A Lua não apaga
O tempo não abala
O pulso não acelera
O coração não dispara
A dor não dilacera

E o sopro frio insiste...

...a consciência persiste:

A sorte não espera
O gelo não quebra
A cor que desbota
A alma que renega
A música então para
O amor sempre cala
 
E você, como sempre, finge!

(Caio Dimitri)

SAUDADE


Aquele segundo que não contei
Hoje soa em silêncio tão aveludado
E o retrato que dizes passado
Chamo simplesmente de saudade.

(Caio Dimitri)

FUTURO DO PRETÉRITO


Brindo a cada vívida lembrança!
Mesmo que a consciência me seja breve
Mesmo no lacônico desabafo que me atreve
Ainda reconheço aquele tenro olhar.

Com as mãos suplico ao tempo
Permissão pra me deixar passar
E ao mundo ainda poder abraçar
Revivendo minha eterna pequenez.

E o sorriso tímido que me assola
Tão discreto quanto minha insegurança
Renova a descoberta em cada esperança
Mantém meu brilho imaculado sobre o mundo!

(Caio Dimitri)