sábado, 8 de novembro de 2014




É
Elo
Louco
Quente
Eloquente

O desejo pungente
Que havia entre os nós
Entre nós

CONTRADITA




Logo você partirá
E contigo, o verso
Silêncio contido
Assombro vindouro
Adeus comovido
Amargo desdouro
Logo você partirá
E conosco, a cicatriz
Sanada concupiscência
Aditada à revelia
Aquela litispendência
Agora, coisa julgada

RESILIÊNCIA



Não me julgo resiliente
Às tuas meias verdades
De tuas meias vontades
Faço-me paciente
Só não julgue pela metade
Toda aquela saudade
Que ainda jaz latente
Nesse olhar incongruente
Estampado em teu rosto
Indecente

ARRITMIA



Adiante
Gire o mundo
Desenhe entre os segundos

Ande
Mude a jornada
Invente outras estradas

Levante
Tome a inquietação
Suborne a razão

Viva
Sobreviva ao descompasso
Dê o próximo passo

Cresça
Esqueça
Desobedeça

Toda essa agitação
D’um coração desacelerado

A CHAGA DE EROS, PARTE II



E Eros surpreendeu
Num gesto nobre
Quase altruístico
Arrancou do próprio peito
Frio e demais pobre
O legado paroxístico
Que ainda lhe restava
Na lança que por ironia
Era o seu mister
E seu martírio

MORTUUS EST LAZARUS



                         I'm torn between the light and dark…
                         …Should I kiss the viper's fang
                         Or herald loud the death of Man?...
                         …
Don't deceive with belief
                         Knowledge comes with death's release*

O belo vermelho boreal
Que tremeluz em minhas veias
Anuncia o solstício invernal
Da ressurreição que escasseia
                                                     Tão intenso quanto assombroso
É o recomeço que condena                                                      
Toda a sorte do combalido
É o egresso e sua pena
Que torna o espírito desvalido
                                                     A luz é uma agulha no fim do poço
À espera de sua comiseração
Vaguei durante quatro dias
Anos, séculos, vidas, então
Acompanhado pela agonia
                                                   A benevolência jamais repensa                                                
Em cada jornada reiniciada
Renovaram-se os tormentos
A cada quatro vidas viciadas
Renegava teus firmamentos
                                                   Ressurreição que dor não compensa
Não rogo o teu alento, afinal
Ignoro a eternidade prometida
Pois todo renascimento é fatal
E toda escuridão é colorida
                                                  As trevas no galope da misericórdia alada
Assim como o vermelho boreal
Que anuncia o solstício invernal
Não entrega vitória à Luz




* Trechos de "Quicksand", de David Bowie.