sábado, 8 de novembro de 2014

A CHAGA DE EROS, PARTE II



E Eros surpreendeu
Num gesto nobre
Quase altruístico
Arrancou do próprio peito
Frio e demais pobre
O legado paroxístico
Que ainda lhe restava
Na lança que por ironia
Era o seu mister
E seu martírio

MORTUUS EST LAZARUS



                         I'm torn between the light and dark…
                         …Should I kiss the viper's fang
                         Or herald loud the death of Man?...
                         …
Don't deceive with belief
                         Knowledge comes with death's release*

O belo vermelho boreal
Que tremeluz em minhas veias
Anuncia o solstício invernal
Da ressurreição que escasseia
                                                     Tão intenso quanto assombroso
É o recomeço que condena                                                      
Toda a sorte do combalido
É o egresso e sua pena
Que torna o espírito desvalido
                                                     A luz é uma agulha no fim do poço
À espera de sua comiseração
Vaguei durante quatro dias
Anos, séculos, vidas, então
Acompanhado pela agonia
                                                   A benevolência jamais repensa                                                
Em cada jornada reiniciada
Renovaram-se os tormentos
A cada quatro vidas viciadas
Renegava teus firmamentos
                                                   Ressurreição que dor não compensa
Não rogo o teu alento, afinal
Ignoro a eternidade prometida
Pois todo renascimento é fatal
E toda escuridão é colorida
                                                  As trevas no galope da misericórdia alada
Assim como o vermelho boreal
Que anuncia o solstício invernal
Não entrega vitória à Luz




* Trechos de "Quicksand", de David Bowie.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

DÁDIVA


A
Vida
Mente
Avidamente

DISLEXIA



No mais
Ao menos
Deixemos
Os pormenores
Nos arredores
Das delongas
Demais longas
Acaso afigures
Aqui ou algures
Nos entrementes
Inter mentes
Além do anverso
Todo universo
De desejo
No ensejo
Seja o porquanto
E outro tanto
Para mim
Por você
Sem mais
Nem menos

segunda-feira, 15 de abril de 2013

ENIGMUNDO


Poço
Fundo
Imenso

Mar
Raso
Finito

Teus defeitos meus
Minhas virtudes tuas

Irônico
Icônico

Morrer afogada
Sem ter medo de altura

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Enquanto você disfarça
Faz
Refaz
Desobedece a métrica
Ri
Rima
Enquanto isso
Isto
E aquilo
Vou escrevendo
A entrelinha
Que falta nesse teu
Meu
Verso

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

SAMSARA


Eis senão quando
Senti uma vontade
Efêmera saudade

De fazer o pranto
Novo de novo

De sobreviver à dor
Morrer uma vez mais

Recobrar a alegria
Dos versos perdidos
Nas orgias de sentimentos remidos